- Livro Pensar Queer: Sexualidade, Cultura e Educação, de Susan Talburt e Shirley R. Steinberg (Orgs).
- Apresentação das ideias dos autores e comentário crítico da equipa sobre o capítulo escolhido (capítulo 4): Transgressão e o corpo localizado: género, sexo e o professor homossexual.
- Para além do leitura do capítulo seleccionado para estudo, cada um dos elementos do grupo leu um outro capítulo da obra, de modo a enriquecer ainda mais o comentário crítico.
Índice da obra:
Prefácio: Chegar até aqui - Shirley R. Steinberg > 7-9
Introdução: William F. Pinar > 11-22
Capítulo 1. O pé esquerdo de Dante atira a teoria queer para a engrenagem - Marla Morris > 23-44
Capítulo 2. Política de identidade, resposta institucional e negociação cultural: significados de um gabinete homossexual e lésbico num campus - Susan Talburt > 45-73
Capítulo 3. Uma outra teoria queer: ler a teoria da complexidadecomo um imperativo moral e ético - Brent Davis/Dennis J. Sumara > 75-105
Capítulo 4. Transgressão e corpo localizado: género, sexo e o professor homossexual - Eric Roffes > 107-133
Capítulo 5. Do armário ao curral: neo-estereotipia em In & Out - Shirley R. Steinberg > 135-144
Capítulo 6. Escolhendo alternativas ao Well of Loneliness - Rob Linné > 145-159
Capítulo 7. Nutrindo imagens, paredes sussurrantes: intersecções de identidades e ampliação de poderes no local de trabalho académico - Townsend Prince-Spratlen > 161-174
Reflexão crítica:
O autor assume-se como homossexual e acérrimo defensor da liberalização homossexual, não uma liberalização no sentido de proporcionar direitos iguais entre heterossexuais, homossexuais e lésbicas, mas seguindo uma linha queer com o pressuposto de certificar a existência de modelos familiares que não estão assentes em estruturas tradicionais, comprometidas pelo sexo.Ser queer significa ser estranho relativamente àquilo que são os padrões comportamentais, tidos como normais pelas culturas dominantes. É estar identificado com um subgrupo de homossexuais, lésbicas e heterossexuais. É ter uma sensibilidade que tenta subverter a aparente nítida relação entre sexo e género. Ser queer acarreta, como consequência, um problema de identidade a quem se encontra nesta zona que divide o homem da mulher.
Assumir-se como homossexual é um acto de coragem, ainda mais numa sociedade que se diz promotora da multiculturalidade, mas que continua a exercer formas de pressão sobre os indivíduos, perpetuando uma cultura hegemónica e desvalorizando as diferentes culturas e minorias, entre as quais a queer.
Para os queer a aparência não está forçosamente relacionada com o género, no entanto, o vestuário assume-se como um meio capaz de dissimular as suas verdadeiras identidades, condicionando as suas práticas, servindo para moldar os corpos biológicos e as experiências culturais de cada um.
O autor encontra-se no centro de um problema: o conflito entre a sua verdadeira personalidade, a sua carreira profissional – professor – e a reacção da sociedade.
De que forma é que ele poderá aproveitar a educação para explorar as tensões emergentes da sua simultaneidade, compreender melhor as intersecções da sua identidade dupla: professor e liberal homossexual e transformar a sociedade numa sociedade sem preconceitos?
A chave está na transformação do espaço escolar em centro de reflexão crítica onde os jovens são dotados de ferramentas para a compreensão dos fenómenos de transgressão, contribuindo assim para uma mudança política e social, através das vias institucionais e não através de manifestações gratuitas.
Para tal é necessário ouvir as experiências dos professores que se identificam com a cultura queer, mas que, na maior parte dos casos, se encontram ainda escondidos «dentro do armário», com medo das represálias que poderão sofrer por parte de superiores hierárquicos, alunos e pais.
Ficar eternamente escondido não parece ser remédio e é talvez mais um acto de reforço de controlo social no campo sexual, contribuindo ainda mais para a repugnância da homossexualidade.
Mas ser queer é também ser subversivo, numa tentativa de enfraquecer as categorias rígidas de identidade, onde a individualidade é um fenómeno contraditório e complexo. É também procurar tornar estranhos os discursos científicos que se apoiam no ideal de corpo e homem perfeito, tentando inverter a aparente relação entre sexualidade e género. É pois, lidar e defender uma teoria da complexidade da ambiguidade comportamental, onde nada pode ser admitido como certo, rejeitando linearmente uma individualidade pura e rígida.
No contexto de sala de aula, torna-se difícil não criar uma relação entre a vida sexual e a identidade do professor, mas o autor esclarece que desde cedo estabeleceu uma ética nas suas relações com os alunos, o que evitou inúmeros problemas. Conseguiu, desta forma, conciliar o seu papel de professor e de activista homossexual, tentando dar uma imagem diferente da classe, contribuindo para mostrar que pode existir simbiose em contexto educativo.
Em jeito de conclusão podemos afirmar que a cultura queer, tal como muitas outras, permanece ainda ofuscada por uma cultura dominante. A maioria dos professores não se assume, com medo de represálias que poderão vir a sofrer, nomeadamente no trabalho, na família e na sociedade e por isso preferem fazer sacrifícios, adoptando estilos de vida que não se coadunam com a sua maneira de ser e de pensar, camuflando a sua personalidade através do vestuário que usam. O verdadeiro ser biológico continua prisioneiro.
Não podemos deixar de salientar que os professores homossexuais conseguem ter a facilidade de poderem ver quais as melhores características de género que se adaptam às diversas situações quotidianas. Tal como refere o autor «A minha energia de macho é útil no estabelecimento de limites (…) A minha energia de mulher é empregue na acessibilidade, no convite à participação…».
Bibliografia:
Roffes, Eric (2007). Transgressão e o corpo localizado: género, sexo e o professor homossexual. In Susan Talburt & Shirley R. Steinberg (Orgs.). Pensar Queer: sexualidade, cultura e educação. Mangualde: Edições Pedagogo, pp. 107-133.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Queer, acedido em 02-04-2009






